Nova lei das SAFs reforça governança e transparência: o que muda e por que a gestão societária se torna ainda mais estratégica
A profissionalização do futebol brasileiro ganhou mais um capítulo importante.
Em junho de 2026, o Presidente da República sancionou a Lei nº 15.427/2026, que promove alterações relevantes no regime das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), ampliando exigências de governança corporativa, transparência e proteção a investidores e credores.
Embora o debate público tenha se concentrado nos vetos presidenciais relacionados à blindagem patrimonial e à responsabilidade por dívidas dos clubes, as mudanças mais relevantes para o futuro das SAFs talvez estejam em outro lugar: no fortalecimento das práticas de governança.
E isso traz reflexões importantes não apenas para clubes de futebol, mas para qualquer organização que busca atrair investimentos, profissionalizar sua gestão e reduzir riscos jurídicos.
O que muda com a nova Lei das SAFs?
A nova legislação reforça mecanismos destinados a aumentar a transparência das operações e a segurança dos investidores.
Entre as principais alterações estão:
1. Maior transparência societária
As SAFs passam a ter obrigações mais robustas de divulgação de informações, incluindo:
- atas de assembleias;
- atas de reuniões dos órgãos de administração;
- atas dos órgãos de fiscalização;
- composição acionária detalhada da companhia.
A medida busca aumentar a visibilidade sobre quem controla a sociedade, como as decisões são tomadas e quais são os mecanismos de fiscalização existentes.
Na prática, trata-se de uma aproximação dos padrões exigidos em companhias com estruturas de governança mais maduras.
2. Reforço da governança corporativa
A nova lei fortalece a estrutura de governança das SAFs, ampliando exigências relacionadas à administração e fiscalização das sociedades.
O objetivo é reduzir riscos de conflitos de interesse, aumentar a prestação de contas e criar um ambiente mais seguro para investidores, patrocinadores e demais stakeholders.
3. Administradores residentes no exterior
Outro ponto relevante é a exigência de representação legal no Brasil para administradores domiciliados no exterior.
A medida busca facilitar a responsabilização dos gestores e assegurar que a companhia possua interlocutores formalmente constituídos no país.
4. Proteção a investidores e credores
Embora parte do texto aprovado pelo Congresso tenha sido vetada, especialmente os dispositivos que buscavam limitar a responsabilização das SAFs por dívidas dos clubes originários, a mensagem do governo foi clara: a evolução do modelo não pode ocorrer às custas da redução da segurança jurídica de credores.
O resultado é um ambiente que busca equilibrar atração de investimentos com responsabilidade corporativa.
O que os vetos presidenciais sinalizam?
Um dos pontos mais discutidos foi o veto aos dispositivos que criavam mecanismos adicionais de blindagem patrimonial para as SAFs.
Segundo a justificativa apresentada pelo Executivo, tais dispositivos poderiam gerar insegurança jurídica e prejudicar credores.
Independentemente da posição adotada sobre os vetos, o episódio reforça uma tendência importante: o mercado e o regulador estão cada vez menos tolerantes com estruturas societárias pouco transparentes ou excessivamente protegidas contra mecanismos de responsabilização.
Governança deixou de ser diferencial. Está se tornando requisito.
O que isso tem a ver com gestão societária?
Tudo.
As novas exigências demonstram que a gestão societária não pode mais ser tratada apenas como uma obrigação documental.
Quando a legislação exige divulgação de atas, composição acionária detalhada, controles de administração e mecanismos de fiscalização, ela está exigindo algo muito maior: organização, rastreabilidade e confiabilidade das informações societárias.
E é justamente nesse ponto que muitas organizações ainda enfrentam dificuldades.
Documentos dispersos, atas armazenadas em diferentes locais, controles manuais de participações societárias e ausência de histórico consolidado são problemas que aumentam riscos e dificultam a demonstração de conformidade.
A tecnologia como aliada da governança
O avanço regulatório das SAFs evidencia uma realidade que já alcança empresas de diversos setores: governança exige informação organizada.
Para atender a esse cenário, torna-se fundamental contar com ferramentas capazes de centralizar e estruturar a documentação societária, garantindo:
- controle dos livros societários;
- armazenamento seguro de atas e documentos;
- histórico completo de alterações;
- rastreabilidade das deliberações;
- gestão do quadro societário;
- acesso rápido às informações para auditorias, investidores e órgãos reguladores.
Como a Societário Digital apoia esse processo
A Societário Digital foi desenvolvida justamente para transformar a gestão societária em um processo seguro, organizado e alinhado às melhores práticas de governança.
Por meio da plataforma, é possível centralizar livros societários, atas, documentos e informações societárias em um único ambiente digital, com controle de acesso, histórico de alterações e trilha de auditoria.
Em um contexto regulatório que exige cada vez mais transparência e governança, a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta operacional e passa a ser um elemento essencial para a conformidade e a credibilidade institucional.
Conclusão
A nova Lei das SAFs vai além do futebol.
Ela sinaliza uma direção clara do mercado brasileiro: mais transparência, mais governança e mais responsabilidade na gestão das organizações.
Para clubes, investidores e administradores, a mensagem é inequívoca.
Quem pretende crescer, captar recursos e construir relações de confiança precisará demonstrar, cada vez mais, que possui controle sobre sua estrutura societária e sobre as decisões que moldam o futuro da organização.
E isso começa pela qualidade da gestão das informações societárias.
Fontes
- InfoMoney. Lula sanciona nova lei das SAFs e veta blindagem patrimonial contra dívidas de clubes. 08/06/2026.
- Senado Federal. Futebol: sancionadas novas regras de governança e transparência das SAFs. 08/06/2026.
- Migalhas. Lula sanciona nova lei das SAFs e veta blindagem de patrimônio. 09/06/2026.
- Poder360. Lula sanciona lei que muda regras das SAFs. 08/06/2026.
- Lei nº 14.193/2021 (Lei da SAF), Presidência da República.
Perguntas Frequentes (FAQ)
SAF é a Sociedade Anônima do Futebol, modelo jurídico que permite ao clube organizar sua atividade futebolística em formato empresarial, com regras próprias de governança, controle e transparência.
A nova Lei das SAFs amplia exigências de governança, transparência e proteção a investidores. Entre os pontos principais estão a divulgação de atas, composição acionária detalhada, regras para conselheiros independentes e maior controle sobre a administração.
Sim. A nova legislação reforça a obrigação de divulgação de atas de assembleias, reuniões dos órgãos de administração e órgãos de fiscalização, aumentando a rastreabilidade das decisões societárias.
Sim. As SAFs passam a divulgar informações sobre a composição acionária, incluindo acionistas, quantidade de ações e percentuais de participação, respeitados dados estratégicos ou confidenciais.
Porque as novas exigências aumentam a necessidade de organização documental, controle de atas, histórico societário, rastreabilidade das decisões e acesso seguro às informações para investidores, auditorias e órgãos reguladores.



